A Terapia Craniossacral é pra sempre? Se parar perde os benefícios?

Claro que não! E nada é pra sempre! Mas é para todos: do recém-nascido ao idoso.

A tarefa essencial dos Terapeutas de Integração Craniossacral, formados pelo Instituto de Quietude Dinâmica (IQD), é ajudar a inteligência natural e curadora do próprio corpo a se manifestar plenamente em seu cliente.

Uma vez estabelecida novamente a conexão com este princípio de Saúde, o cliente pode seguir apenas um trabalho de manutenção, ou nos procurar em momentos críticos para novos atendimentos.

Então qual é a periodicidade no tratamento da Terapia Craniossacral?

Quando o cliente chega para um primeiro atendimento, com base nos seus relatos e na observação do terapeuta, a periodicidade dos atendimentos será proposta.

Caso a vitalidade do cliente não esteja tão comprometida, iniciamos o tratamento com um atendimento semanal. Com o passar do tempo e considerando as reações positivas, os atendimentos podem ser mais espaçados.

Mas se o cliente estiver muito desvitalizado, somos orientados na nossa formação a fazer três atendimentos num período de dez dias, para o corpo do cliente reunir a potência necessária para começar a lidar com seus desconfortos. Depois segue semanalmente. Isto porque nos primeiros atendimentos da Terapia Craniossacral as forças de autocura costumam prevalecer em torno de 72 horas, devido à tendência do organismo voltar aos velhos padrões de funcionamento.

Com o desenrolar do tratamento, o organismo do cliente se mantém conectado por mais tempo às forças de cura presentes nele e na natureza ao seu redor. Lembre-se: como abordamos nos posts anteriores (Parte 1 e Parte 2), o corpo é uma entidade que se cura e se regula a si mesma, tem toda informação necessária para funcionar e se manter em equilíbrio.

Importante mencionar que há casos em que apenas um atendimento foi suficiente para o cliente recuperar a vitalidade e até tomar um rumo mais saudável na vida. Já ouvimos coisas do tipo: “aquelas dores passaram”, “depois da experiência voltei a fazer caminhadas”, “adotei uma alimentação mais saudável”, atitudes que contribuem demais para o sucesso de qualquer tratamento.

É sempre um Mistério como o Sopro da Vida vai tocar cada cliente na Terapia Craniossacral. Como diz o poeta Gilberto Gil, “mistério sempre há de pintar por aí…”.

Sopro da Vida? Que história é essa?!

Usamos de metáforas para explicar o intangível.

Pense na extraordinária força que dá origem a todos os seres na face da Terra. Você pode denominá-la como quiser. Dr. Sutherland, mais uma vez o grande mestre osteopata, batizou essa força vital de Sopro da Vida. E afirmou que a potência do Sopro da Vida toca o nosso ser desde o início da concepção, quando somos apenas uma gota de protoplasma (substância primordial), e segue presente através da Respiração Primária durante o desenvolvimento humano, que passa pelo embrião, nascimento, crescimento e os processos de regeneração durante toda vida.

O Sopro da Vida, enfim, é uma Força Suprema que cria a faísca que resulta na Respiração Primária, movimentos de expansão e contração, e seus efeitos curativos no corpo humano. Para o Dr. James Jealous, “O Sopro da Vida entra no corpo e nós podemos sentir os vários ritmos criados por ele”.

Respiração Primária?! O que é isso?

A Respiração Primária é assim chamada porque vem antes da respiração pulmonar e se expressa através de movimentos polirrítmicos que trazem diferentes potências curativas para o organismo da pessoa – o movimento da Saúde. Dr. Sutherland depois de longos anos de pesquisa afirmou: “A Respiração Primária é uma força passando através de nós, criando e sustentando a Vida”.

São movimentos sutis que o terapeuta da nossa linhagem passa anos sendo treinado para sentir com o toque suave das mãos, além de observar seus efeitos curativos através de uma percepção cada vez mais refinada por um profundo silêncio interno, a Quietude.

O efeito mais facilmente perceptível (digamos assim) da Respiração Primária no organismo é o Impulso Rítmico Craniano (IRC), que gera um ciclo de expansão/contração curto (6 segundos), seguido do que chamamos de Maré Média (24 segundos) e Maré Longa quando os ciclos são mais expandidos.

De novo falamos através de analogias: “marés”. Porque a imagem criada é que estamos envolvidos numa Totalidade da Vida que tem forças regeneradoras, um enorme oceano ao nosso redor. Uma vez que estejamos receptivos, somos inundados por este movimento de sustentação da Saúde.

Mecanismo da Respiração Primária

No corpo humano a Respiração Primária sustenta, ou restabelece, o que chamamos do Mecanismo da Respiração Primária, essencial para a manutenção da Saúde. Num estado ideal, todos os fluidos do organismo expressam os ritmos IRC, Maré Média, Maré Longa com equilíbrio, colaborando para que todas as células possam expressar sua capacidade de regeneração e integridade nos tecidos que se desordenaram e foram afetados por patologias, em qualquer momento da vida.

Objetivamente, o Mecanismo da Respiração Primária (também chamado de mecanismo involuntário, porque não tem o controle voluntário muscular) afeta a flutuação do líquido cerebroespinhal nas membranas, o Sistema Nervoso Central, o movimento dos ossos cranianos e do sacro… portanto todo o Sistema Craniossacral que precisa funcionar adequadamente para o bem-estar da pessoa.

A Terapia Craniossacral contribui para essa harmonização integral do cliente. E de uma forma prática, sem teorizações durante o atendimento.

Nós, terapeutas, conduzimos nosso trabalho inspirados também numa frase de nosso conceituado mestre, o osteopata americano Dr. James Jealous: “Todos nós queremos nos curar para viver normalmente, o que significa viver com a sensação de paz e harmonia”.

Até o próximo post!

Ou até o próximo atendimento!

Por Maria Anita Romeo – Terapeuta de Integração Craniossacral

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