Impacto para a cidade

Para São Paulo, cidade com mais de 14 milhões de habitantes, reconhecidamente capital gastronômica e um dos principais destinos para o turismo de eventos da América do Sul, a lei terá um impacto importante, como abordado no post parte 1

O texto aprovado atende o protocolo da Agenda 2030 da ONU, na qual a cidade é signatária desde fevereiro de 2019. São Paulo se compromete criar gestão mais sustentável e eficiente dos resíduos.

A medida deixa São Paulo “alinhada às cidades mais desenvolvidas do mundo no combate à poluição do meio ambiente”, afirma o vereador Xexéu Tripoli (PV), autor do PL que teve coautoria de 48 parlamentares.

Os canudos também estão entre os principais itens encontrados em ações de limpeza de praias no Brasil. O último levantamento da Semana Mares Limpos de 2018 mostra que 90% do lixo recolhido nessas ações é plástico. E os canudos estão entre os três plásticos de uso único mais encontrados.

O caminho percorrido pelo texto da PL na Câmara Municipal foi acompanhado de perto pela National Geographic. No Dia Mundial do Meio Ambiente do ano passado, 5 de junho, o assunto poluição plástica foi introduzido pela primeira vez na Comissão de Meio Ambiente em audiência pública.

A audiência recebeu especialistas expondo estudos e dados. Esta repórter participou como representante da revista National Geographic e apresentou, em primeira mão, os textos e imagens da edição especial Mar de Plástico, publicada em junho de 2018, para vereadores e vereadoras. A edição representou o lançamento global da campanha Planeta ou Plástico?

Os impactos da poluição plástica simbolizada pelo canudinho já foram tema de outras ações da National Geographic relacionadas à campanha Planeta ou Plástico? Em uma delas, as fotos de Luisa Dorr que discutem os efeitos nocivos do uso de canudinhos foram expostas em estações de metrô da cidade e atingiram milhares de passageiros.

Plastics 101 | National Geographic

Brasil contra o plástico descartável

Câmaras Legislativas pelo Brasil têm avançado na discussão sobre o plástico de uso único, especialmente os canudos.

Na mesma quarta-feira, 17, em que foi aprovada PL na Câmara Municipal de São Paulo, uma proposta semelhante, só que em nível estadual, foi aprovada na Assembleia Legislativa de Santa Catarina. A proposta também proíbe os canudos plásticos no estado e recomenda a substituição por materiais biodegradáveis.

Caso sancionada pelo governador Carlos Moisés, Santa Catarina passará a ser mais um a dar os primeiros passos na disposição de plásticos descartáveis. Já são mais de 20 cidades e estados com legislação vigente sobre isso.

Algumas cidades litorâneas de São Paulo também contam com alguma legislação restritiva. No litoral norte – Ilhabela, Ubatuba, São Vicente e Caraguatatuba – e na Baixada Santista – Santos e Guarujá – municípios já proíbem o uso de canudos plásticos.

A ilha de Fernando de Noronha aprovou recentemente uma lei que proíbe o uso e venda de qualquer produto plástico descartável.

Os estados do Rio Grande do Norte, Espírito Santo e Rio de Janeiro também já proibiram o uso e distribuição de canudos plásticos.

O caminho ainda é longo. A questão da poluição plástica e sua relação com rios e mares passa diretamente por planos nacionais, a aplicação da Política Nacional de Resíduos Sólidos e um olhar atento para a gestão do lixo nos 274 municípios costeiros brasileiros.

No dia 22 de março o governo federal lançou o Plano Nacional de Combate ao Lixo no Mar, que deu um diagnóstico e revelou caminhos a serem tomados para resolver o problema que assola as cidades brasileiras.

O último Carnaval, que teve fortes chuvas e muito lixo nas ruas – na sua grande maioria reciclável –, só evidenciou que o desafio é enorme. A luta contra o plástico descartável está apenas começando.

saco plástico no fundo do mar

Fonte: National Geographic